sábado, 25 de julho de 2015

OLÁ DE NOVO

Por muitas terras e muitas gentes atravesso pra aqui vir deixar uma última oferta fúnebre e falar, inutilmente, a cinzas mudas. Porque a dor me impede de silenciar, porque te foste embora, porque já te tinhas ido, porque não te pude abraçar uma derradeira vez. Porque antes que eu pensasse em dizer adeus, bem antes, já não eras. Quando de mim foste tolhido, não por vontade, não por merecimento, pouco restava a dizer. Mas o suficiente pra entalar assim tão dolorosamente na garganta, que tudo em mim dói. E, nestas palavras das quais nunca hás de saber, peço que aceites a mísera oferta duma lembrança final, que se perpetuará em cada pensamento meu. E que, na eternidade que era pra ter sido nossa, este adeus se torne um olá de novo.

Sem comentários: